Abril em Portugal

Sábado, 5 de Maio de 2012



"Coimbra é uma Lição"

Rainha incontestada e sem rival entre todas as "Coimbra Spaghetti", "Coimbra é uma Lição" começou por não ser. Nem conimbricense, nem tema do universo da Canção de Coimbra.

Data de 1939 esta canção ligeira, destinada, não se sabe bem, se a banda sonora de filme, se a ensaio e montagem de um teatro de revista. A dupla de autores tinha-se distinguido desde os alvores da década, concretamente na ainda hoje cantada banda sonora do filme "A Canção de Lisboa" (1933). Escreveu os versos o letrista José Maria Galhardo e assinou a música Raul Ferrão (1890-1953). Versátil, Ferrão era Tenente Coronel, Engenheiro Químico e inspirado compositor.

A canção ficou a aguardar melhores dias, até que em 1946 Armando Miranda a integrou na banda sonora do filme "Capas Negras", estreado em 1947. Quem no filme interpretava "Coimbra é uma Lição" era Alberto Ribeiro, actor, fadista e cantor de operetas, com voz "estilo reis da rádio". Oriundo de Valongo (Ermesinde, 1920...), Alberto Ribeiro havia conquistado notoriedade como fadista em alguns cafés do Porto na 2ª metade da década de 1930, tendo transitado para o mundo do espectáculo em Lisboa. Como é sabido, o imenso sucesso atingido pelo filme em Portugal e no Brasil não foi secundado nos territórios da Academia de Coimbra.

Apesar de ensaiado directamente pela mão de Ângelo Vieira de Araújo, Alberto Ribeiro não convencia nos temas de Coimbra, e não conquistou qualquer adesão local com a sua interpretação do tema de Raul Ferrão.

Na opinião dos ressentidos estudantes de então, "Coimbra é uma Lição" era uma canção de teatro de revista tipicamente lisboeta e como tal permaneceria por meio século. A letra continha lugares comuns que não cativavam os estudantes mais desconfiados de estarem a ser aredidos com arremetidas de falsa identidade cultural. No refrão, a palavra "faculdade" estragava tudo. Em Coimbra "faculdade" usava-se com sentido muito rigoroso e restrito, sem o alcance generalista empregue em Lisboa e no Brasil, espaços onde "cursar faculdade" ou "estar na faculdade" queriam significar universidade/ou ensino superior. Insuportável aos ouvidos dos estudantes era também a voz afectada de Alberto Ribeiro, logo acusado de não perceber nada do estilo de Coimbra.

Caberia a Amália Rodrigues (1920-1999) lançar "Coimbra é uma Lição" nos circuitos internacionais do grande espectáculo, quando em 1950, integrada nos musicais de divulgação do Plano Marshall, cedeu a Yvette Giraud as bases para a futura "Avril au Portugal"/"April in Portugal".

No caso concreto da Academia de Coimbra, só após 1974 e num contexto de diluição e reinvenção da memória histórica foi possível abrir caminho à aceitação de "Coimbra é uma Lição". Tudo começa de alguma forma com uma projecção do filme "Capas Negras", no Teatro Académico de Gil Vicente", a 21 de Janeiro de 1980, integrado no programa da chamada Semana de Recepção ao Caloiro (18-26 de Jan. de 1980).

A entidade promotora era a Direcção Geral da AAC afecta à JSD, que acolhia de boamente o aconselhamento formulado por Joaquim Teixeira Santos, activo membro da AAEC. O filme era recuperado como "documento histórico", apto a ensinar aos estudantes as tradições perdidas. A partir daqui ficavam abertas as portas a uma atitude de relativização da memória histórica e de re-invenção de supostas tradições. Sucederam-se as gravações da Estudantina Universitária de Coimbra (LP "Canto da Noite", ano de 1992) , de Mário Gomes Pais com o grupo Aeminum (CD "Coimbra é uma Saudade", ano de 2002), dos Antigos Tunos da Universidade de Coimbra (CD "15 anos depois", Coimbra, 2000), e do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra (CD "20 anos a cantar Coimbra", 2003).

Conhecendo a dimensão internacional do "Coimbra é uma Lição", José Miguel Júdice, ao tempo Bastonário da Ordem dos Advogados, instigou José Moças, da Tradisom, a realizar um levantamento de registos portugueses e estrangeiros desta canção. O resultado foi o CD COIMBRA. APRIL IN PORTUGAL. AVRIL AU PORTUGAL, Tradisom/Quinta das Lágrimas, TRAD 038, ano de 2004, com 24 amostragens repescadas entre 1947 e 2003, que passam por Amália Rodrigues, Yvette Giraud, Alberto Ribeiro, Antigos Orfeonistas da UC ou Caetano Veloso. Os textos de apresentação, bem articulados, são assinados por Maria de São José Côrte-Real.

Para ficar com uma ideia aproximada do volume de gravações que este tema tem merecido, solicitei à SPA uma relação de declarações de registos fonográficos. O rol é verdadeiramente impressionante, passando por largas dezenas de incursões: casas de fados, filarmónicas, corais, acordeonistas, orquestras ligeiras, tunas e artistas de música ligeira onde se situam nomes como Cândida Branca Flor, Roberto Leal ou Júlio Iglésias.

Deixando de lado o mundo dos corais e das tunas, haverá lugar à integração desta composição na Galáxia Sonora Coimbrã? A versão cantável não parece reunir condimentos para incursões no imediato e as versões instrumentais continuam a não cativar candidatos.

Mas os processos de construção da identidade não são imutáveis. O futuro (ou o pós-modernismo) nos dirá se José Manuel Beato foi a derradeira voz da utopia quando num vigoroso artigo jornalístico de 1992 se insurgiu contra uma gravação que vinha de fazer-se.

Agradecimentos: José Moças (Tradisom), Goreti Lopes (SPA)
AMNunes

Ciclo Hestória(s) do Fado: Capas Negras _ 4 Maio 21h30

Terça-feira, 1 de Maio de 2012

Hestória (s) do Fado

Em tempos de "reconhecimento oficial" e internacional, o Cineclube Aurélio da Paz dos Reis associa-se às várias homenagens que 2012 certamente fará ao Fado, dedicando-lhe um ciclo anual, um ciclo que pretende contar o Fado. Ao longo de todo o ano de 2012, fazendo uso da primeira sexta-feira de cada mês e dos olhos privilegiados do cinema português, o Cineclube de Braga tentará desenrolar as estórias de uma música que se confunde com a história de um país. [Carlos Silva, Cineclube Aurélio da Paz dos Reis]

Capas Negras

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sinopse

Capas Negras ficou 22 semanas em cartaz e bateu todos os recordes de bilheteira. Na trama, José Duarte (Alberto Ribeiro), estudante de Direito em Coimbra namora Maria de Lisboa (Amália Rodrigues). O romance é rompido por suspeita de traição por parte de Maria, partindo José Duarte para o Porto. Algum tempo depois, Maria é presa no Porto, sob acusação de abandono do filho e o advogado que a defenderá será José Duarte.
Uma das canções do filme, a famosa “Coimbra” de Raul Ferrão, transformou-se num emblema sonoro de Portugal no mundo.

Este filme conta à partida, com duas supervedetas, Amália Rodrigues e Alberto Ribeiro no auge da popularidade, com todas as suas canções na boca do povo. Depois, junta numa mesma acção os mitos nacionais do fado, o fado de Lisboa e o fado de Coimbra, este reforçado por uma piscadela de olho a outro fortíssimo mito, o do estudante de capa e batina, tudo reforçado com um final portuense que traz para as imagens esse outro mito da solidez, do dinheiro, da prosperidade, que é a imagem do Porto em certos cineastas da capital. Em terceiro lugar, o argumento é o melodrama absoluto, com o advogado defendendo no tribunal a mãe solteira do seu filho ilegítimo.

ficha técnica
Realização: Armando de Miranda
Argumento e Diálogos: Alberto Barbosa, José Galhardo, Luís Galhardo
Interpretação: Alberto Ribeiro, Amália Rodrigues, António Sacramento, Artur Agostinho, Barroso Lopes, Fernando Silva, Génia Silva, Graziela Mendes, Humberto Madeira, Joaquim Miranda, Vasco Morgado
Montagem: Armando de Miranda
Director de Fotografia: Octávio Bobone
Director de Som: Heliodoro Pires
Música: Jaime Mendes
Decoração: Armando Bruno
Interiores: Cinelândia
Exteriores: Coimbra, Porto
Lab. Imagem: Lisboa Filmes
Estúdio de Som: Cinelândia , Lisboa Filmes
Produção Executiva: Armando de Miranda, Edmundo Ferreira de Almeida
Produção: Produtores Associados
Género: Ficção
Duração: 103’ / pb / M6
Formato: 35mm
Idioma original: Português
Ano de Lançamento: 1947

Concerto de Guitarra de Coimbra
À Guitarra e à Conversa também.

ver excerto no youtube

Ângelo Correia

Nascido no Porto em 1986, tem o seu primeiro contacto com o Fado de Coimbra aquando da ligação académica aos trejeitos de cantar e tocar as já clássicas serenatas.

Após um período não superior a seis meses onde se dedica ao estudo da viola de acompanhamento, e canto como parte integrante do Grupo de Fados e Guitarradas da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, inicia o seu estudo de Guitarra de Coimbra, estreia-se ao público pela primeira vez neste instrumento na Serenata Monumental de Recepção ao Caloiro da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, apresentando-se ainda ao longo dos anos de participação com este Grupo em diversos espectáculos por todo o país, de salientar as aparições na Casa da Música e no Coliseu do Porto.

Tendo passado por um processo de aprendizagem entre aulas particulares e autodidactismo, assume um estudo mais aprofundado, sobre toda a temática da Guitarra e Fado Coimbrãos, assim como da música popular portuguesa.

Desde Dezembro de 2010, membro fundador do grupo Cantos & Variações, põe em prática os conhecimentos, técnicos e teóricos, de uma aprendizagem que assume como sendo contínua, tendo-se apresentado em conjunto com o Grupo já em várias ocasiões, passando por um festival de musica popular na Ilha de Creta, Grécia.

mais informações
Programação do auditório da Casa do Professor: João Catalão
Programação do ciclo: Cineclube Aurélio da Paz dos Reis
Equipa do Cineclube Aurélio da Paz dos Reis:
César Pedro: Programação / Apoio Técnico
Miguel Ramos: Programação
Joana Dias: Produção / Apoio Jurídico
Henrique Cachetas: Produção / Apoio Técnico
Carlos Silva: Produção / Divulgação
Maria João Macedo: Design / Comunicação
João Quintas: Apoio Fiscal
Tiago Rito: Sócio Honorário

Porquê Abril? _ 24Abril 2012 _ 22h00

Terça-feira, 24 de Abril de 2012

&

revisitam


Cantos & Variações - Porquê Abril?
De Carlos Paredes a José Afonso


O Cantos & Variações assenta as suas influências, na música tradicional portuguesa com passagem por Coimbra.
Partindo de um passado comum no FADO de Coimbra, até entrar pelo mundo clássico e erudito (assumindo aqui as composições próprias) português, o Cantos & Variações propõe-se a trazer novas visões à Guitarra de Coimbra assim como à música tradicional portuguesa.

Porquê Abril?
Porquê Abril (saindo do tempo em que os nomes dos meses ainda são com maiúsculas)?
É um mês com letra grande.
É um mês com atitude.
É um mês com cores.
É um mês com povo.
É um mês com Portugal.

Porquê José Afonso?
Abril e José Afonso andam de mão dadas.
Da aurora de um nascer novo no nosso País ao anoitecer e o deitar de sorriso na cara porque algo de especial aconteceu.

"Adormeci, com a sensação que tínhamos mudado o mundo", cantam o MadreDeus.
E a isto, José Afonso, pessoa, poeta, andarilho e cantor, fez crescer algo fora de tempo.
Algo de português e de grandeza de um povo que um dia fez acontecer.

Então porquê José Afonso?
José Afonso é (também, mas não só - imensamente! -) Abril.

Porquê Carlos Paredes?
À imagem de um Carlos Paredes fechado em si mesmo, de educação rígida por parte de um pai que cedo teve que o deixar fugir, do lado da mãe herda um extremo sentido humano e de sensibilidade política.

Carlos Paredes, também ele figura maior da nossa cultura e portugalidade, lutou ao lado de uma esquerda clandestina pelo crescer em Portugal de um Abril.

Reprimido, preso também ele, privado da sua Guitarra, é um dos rostos do Abril.
Não o Abril de ontem e de hoje, mas de um Abril que todos um dia quisemos.

Porque em Abril:
"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegamos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegamos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!" 

Salgueiro Maia.

Mais informações

Programação da concerto Cantos & Variações | http://cantosevariacoes.blogspot.pt/
Organização Grupo Musical de Miragaia
Data 24 de Abril 2012
Horários 22h00
Local Auditório do Grupo Musical de Miragaia
Colaboradores Confederação_núcleo para a Investigação Teatral
Apoios  Sócios GMM - 1,00/  Geral - 3,00€       
Informação / reservas www.confederacao.pt.vu
                                 966848598 confederacao.nit@gmail.com

Contactos Auditório do Grupo Musical de Miragaia
                Rua Arménia, 18 _ 4050-066 Porto
                966848598 // confederacao.nit@gmail.com


google maps: http://goo.gl/Q00fL



Crise Académica de 1969

Terça-feira, 17 de Abril de 2012

A comemorar um dia em que tudo mudou.
O 17 de Abril de 1969.

Fica aqui um documentário da ESECTV.
Parte 1:


Parte 2:

Revista1: O Homem-Realejo _ 20 e 21 de Abril2012_21h30

Sábado, 14 de Abril de 2012



vai ver-se livre d'
Revista 1
O Homem-Realejo ...exploração e de interpretação do estar aquém-mundo

Sinopse
Conhece Drummond de Andrade? pois este homem é dele.
Conhece João César Monteiro? pois a menina Custódia é dele.
Conhece Machado de Assis? pois a grande teoria é dele.
Conhece Fernando Pessoa? pois o Fernando Pessoa é nosso.
Conhece Eugéne Ionesco? pois ele é de quem o compreender.
Conhece Cervantes? pois sabia que ele já fez a introdução de um livro utilizando tão somente referências de outros. E esta, esta é uma argumentação de notas de rodapé e o texto, o texto que se refere é de si uma sensaboria decadentista sobre o fim de tudo isto PONTO

Usurpação textual MiRo

Amadores Dramáticos
Bombeiro Vasco Temudo Custódia Mayra Ronda Estrelas convidadas a Assistir Cantos&Variações Inocência Vânia Pereira
Ludovina Rosário Melo Rudolfo Adão Reis Sebastião Carlos Neves Sr. João Miguel Ramos Sr.José Zézinho

Figurinos Juana Machado em colaboração com os supra citados Imagem Gráfica Alfredo Sapateiro Cenografia Carlos Neves
Desenho de luz Baltasar Dàmico Produção Confederação_núcleo para a investigação teatral

dur. Psicológica aprox [n/a] dur. aprox [1h20min] 
classif. étaria + de 2votos em eleições democráticas nº de espectadores 85 

Mais informações


Programação do auditório Confederação_núcleo para a Investigação Teatral
Organização Grupo Musical de Miragaia
Data 20 e 21 Abril 2012
Horário 21h30
Local Auditório do Grupo Musical de Miragaia

Colaboradores Balleteatro
Apoios Sócios GMM 2€
             Estudante de Teatro 3€
             Geral 5€
             Alto Patrocínio 7,50€

Informação / reservas www.confederacao.pt.vu
                                      966848598 confederacao.nit@gmail.com

Contactos Auditório do Grupo Musical de Miragaia
Rua Arménia, 18 _ 4050-066 Porto

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Teresa Salgueiro apresenta primeiro álbum de originais

Segunda-feira, 9 de Abril de 2012


Teresa Salgueiro actuará no Cine-Teatro Eduardo Brazão, em Valadares - Vila Nova de Gaia, no dia 12 de Abril, às 22:00, naquele que será o primeiro concerto em Portugal de "O Mistério". No dia anterior (11 de Abril) fará um showcase na Fnac do GaiaShopping, que servirá de apresentação do novo álbum com edição prevista para maio.

É um novo começo, após 25 anos de dedicação ininterrupta à música. Pela primeira vez, entrega-se à composição de todas as músicas e à escrita das letras de todos os temas.

O álbum estará em pré-venda nos dias 11, 12 e 13 de abril e em www.fnac.pt a partir do dia 9 de abril.

Fonte: DN - Cartaz

Rui Pato na Antena 1

Quinta-feira, 5 de Abril de 2012


Através de António Macedo:
Este domingo, dia 1 - e não é mentira! - depois das notícias à uma da tarde, Rui Pato recorda na Antena 1 a gravação, em 1968, de "Cantares do Andarilho", de José Afonso, conta como e em que circunstâncias conheceu o autor de "Grândola", contextualiza o disco na obra do Zeca e tira-lhe o retrato de Homem e de Músico. Edição de uma entrevista que Rui Pato gravou esta semana comigo, com o Viriato Teles e com o Antonio Antunes a propósito da reedição, dia 9, de "Cantares do Andarilho", agora em versão remasterizada e com som de luxo. Na foto, o jovem Rui Pato, com José Afonso, nos anos 60.

Um magnífico documento de José Afonso na voz do inevitável Rui Pato, de ouvir, e (re)ouvir.